VII – 1984 (França)
Tão perto da glória; tão próximo de concretizar o sonho: Portugal esteve a 5 minutos da final (quando, perto do termo do prolongamento, batia, em Marselha, a França, por 2-1), perdendo essa oportunidade de ouro no último minuto do prolongamento, num intenso jogo contra a equipa da casa, a França, que conquistaria – no VII Campeonato da Europa – o primeiro grande triunfo internacional da sua história.
Beneficiando do “factor casa” e do alto rendimento da sua estrela, Platini – transformado num goleador imparável, com os seus 9 golos -, depois de uma vitória difícil no jogo de abertura com a Dinamarca, a França esmagou os vice-campeões europeus (Bélgica) por 5-0, fechando a primeira fase com nova vitória perante a Jugoslávia; depois do maior obstáculo com que se deparou (Portugal!), bateria, na final, a Espanha, por 2-0.
Na fase de qualificação, o Campeão do Mundo (Itália) ficara já pelo caminho, com um percurso paupérrimo, em que apenas logrou suplantar na classificação do grupo o modesto Chipre, ganhando unicamente o último dos 8 jogos de qualificação (frente a Chipre, precisamente)! – e já depois de ser “humilhada” com a derrota em casa, por 0-3, com a Suécia (num grupo que seria ganho pela Roménia).
O Campeão Europeu em título, a RFA, depois de uma qualificação “sofrida” (empatando em pontos com a I. Norte, com quem perdera os dois jogos, por 0-1), acabaria por ser eliminado no grupo de Portugal, com a ajuda da Espanha (com um golo decisivo no último minuto).
Também a Inglaterra ficara pelo caminho, “vergando-se” (no próprio Estádio de Wembley) à superioridade de uma Dinamarca que surgia pela primeira vez como potência futebolística, que viria a atingir o auge – de forma bastante surpreendente – 8 anos depois.
Portugal qualificar-se-ia para a Fase Final depois de uma campanha “quase perfeita” (não fora o 0-5 com que baqueou na URSS); depois de 2 vitórias nos jogos com a Finlândia, ao vencer também as duas partidas com a Polónia, Portugal chegou ao último jogo necessitando de ganhar, em casa, à URSS. A 13 de Novembro de 1983, no Estádio da Luz, Chalana (que se consagraria também como grande figura do Europeu), depois de tirar do caminho dois soviéticos, ao entrar na grande-área, foi derrubado em falta; o árbitro – sem acesso aos meios tecnológicos que permitiriam confirmar que a falta fora cometida ainda antes da linha – assinalou a grande penalidade que Jordão converteria, colocando Portugal, pela primeira vez, na disputa do título continental.
A qualificação ficou também marcada por um resultado histórico, a maior goleada alguma vez registada entre duas equipas europeias (ainda record): para suplantar a Holanda, a Espanha precisava de ganhar o último jogo por 11 golos e, apesar de Malta ter, ainda cedo, marcado 1 golo, não desmotivou os espanhóis que, numa “cavalgada épica”, chegariam aos 12-1!
Outros resultados marcantes da fase de qualificação foram: Inglaterra-Luxemburgo, 9-0; Hungria-Luxemburgo e Luxemburgo-Hungria (duas vitórias húngaras por 6-2), Dinamarca-Luxemburgo, 6-0 (um autêntico “bombo da festa”); Jugoslávia-P. Gales, 4-4; Checoslováquia-Chipre, 6-0; Irlanda-Malta, 8-0 e Malta-Holanda, 0-6.
Na Fase Final, para além do já referido 5-0 da França à Bélgica, também a Dinamarca “humilharia” a Jugoslávia pelo mesmo resultado.
GRUPO A
França – Dinamarca – 1-0
Bélgica – Jugoslávia – 2-0
França – Bélgica – 5-0
Dinamarca – Jugoslávia – 5-0
França – Jugoslávia – 3-2
Dinamarca – Bélgica – 3-2
1º França (6); 2º Dinamarca (4); 3º Bélgica (2); 4º Jugoslávia (0)
GRUPO B
RFA – Portugal – 0-0
Espanha – Roménia – 1-1 (Carrasco, 23m; Boloni, 35m)
RFA – Roménia – 2-1 (Voller, 24m e 66m; Coras, 46m)
Espanha – Portugal – 1-1 (Santillana, 71m; Sousa, 52m)
Portugal – Roménia – 1-0 (Nené, 81m)
Espanha – RFA – 1-0 (Maceda, 89m)
1º Espanha (4); 2º Portugal (4); 3º RFA (3); 4º Roménia (1)
1/2 Finais
França – Portugal – 1-1 (3-2 após prolongamento – Domergue, 25m e 115m; Platini, 119m; Jordão, 74m e 98m)
Espanha – Dinamarca – 1-1 (Maceda, 67m; Lerby, 6m) – 6-5 nos pontapés da marca de grande penalidade
Final
França – Espanha – 2-0 (Platini, 57m e Bellone, 90m)
Classificação
1º França
2º Espanha
3º Portugal
3º Dinamarca
5º RFA
6º Bélgica
7º Roménia
8º Jugoslávia
Campeões – Bats, Battiston, Bossis, Leroux, Domergue, Tigana, Fernandez, Platini, Giresse, Lacombe, Bellone, Amoros, Genghini, Tusseau, Ferreri, Bravo, Six e Rocheteau
Melhores Marcadores – Platini (França), 9 golos ; Voller (RFA) e Santillana (Espanha), 7 golos; Elkjaer (Dinamarca) e Rummenigge (RFA), 6 golos